27-04-07
Forte aposta nos caprinos biológicos
Pedro Antunes Pereira
Perto das nove e meia da manhã, as cerca de 270 cabras começam o seu percurso, rumo aos montes do Gerês para passaram mais um dia a pastar em escarpas quase inalcançáveis ou em prados a perder de vista. Com elas vão dois cães, "óptimos companheiros, sobretudo, quando sentem o lobo a farejar por perto". Manuel Afonso e a esposa, residentes no concelho de Terras de Bouro, são produtores de caprinos pelo modo biológico e pertencem à Associação de Produtores Biológicos de Terras de Bouro, constituída há cerca de um ano, dando seguimento a um projecto desenvolvido pela autarquia que alia o território à sustentabilidade.
Célia Rodrigues, Sílvia Ramos e Nuno Silva são os rostos visíveis da Associação de Produtores Biológicos que começou com 12 agricultores e hoje já vai nos 30.
"A agricultura convencional, aqui em Terras de Bouro, sempre obedeceu a modos de produção tradicionais, com as explorações pouco expostas a pesticidas. Isso permitiu que a reconversão para o modo biológico fosse imediata, não tendo os produtores que esperar os dois anos necessários em outras explorações", destacam os responsáveis pela associação.
Segundo Célia Rodrigues, "os agricultores tiveram, apenas, que ajustar o que já faziam aos novos métodos, mas foi uma transição pacífica". Nesta altura, existem 2170 caprinos em regime biológico, acompanhados por 60 bovinos, 35 ovinos e 40 cavalos. Há também colmeias (15) e sete produtores de plantas aromáticas e medicinais produzidas neste método biológico e todos eles já certificados.
A associação quer "transformar Terras de Bouro na capital do biológico em Portugal". Os próximos passos estão identificados vender os produtos criando uma marca própria, proceder ao seu abate em matadouros certificados e massificar os produtos biológicos "para acabar com aquela ideia que só a elite é que os consegue comprar".
Mas, a associação, com o apoio da câmara e da cooperativa agrícola quer associar as vertentes do turismo e da gastronomia, "óptimos parceiros para escoarem os produtos". É que a parte comercial é também considerada fundamental para a sustentabilidade dos produtores. Mas, para isso, a existência de uma marca é importante "porque com ela, o produtor está identificado, tornando a fidelização ao consumidor mais fácil". Uma meta para atingir já em 2008.
António Cracel tem pouco mais de 35 anos, mas lida com caprinos desde os 15. Tem 189 cabras e aderiu ao modo biológico "sem problema nenhum e sem qualquer dificuldade de adaptação, porque o que fazia era praticamente igual, excepto que agora não usamos pesticidas".
Enquanto não há uma rede de comercialização, o produtor vai vendendo a particulares e a talhos, mas espera que a aposta nos canais de distribuição permitam um maior escoamento dos produtos biológicos, facilitando a comercialização. Fonte JN 26-4-2007 (4)
Commentaires
Poster un commentaire
Rétroliens
URL pour faire un rétrolien vers ce message :
http://www.canalblog.com/cf/fe/tb/?bid=105607&pid=4756174
Liens vers des weblogs qui référencent ce message :